Internet of Everything: agropecuária conectada é o futuro

A agricultura e a pecuária estão passando por uma transformação devido à presença de tecnologias na área rural.

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A agricultura foi uma das principais revoluções humanas. Quando o homem começou a trabalhar com ela, passou também a viver em comunidades agrícolas. Agora, um novo e ambicioso projeto tecnológico está sendo desenvolvido: conectar a agricultura à Internet of Things. A lavoura está passando por uma mudança à medida que mais pessoas estão consumindo alimentos cultivados localmente e uma nova geração de agricultores está adotando tecnologias na área rural em busca de melhorar a utilização de fertlizantes e a eficiência no provisionamento de energia e na irrigação das plantações. Produtores de leite, viticultores, produtores de soja e diversos outros também estão começando a investir nesse conceito, atualizando suas tecnologias e conectando suas produções.

Alicia Asin, CEO da Libelium, uma companhia que produz sensores, recentemente afirmou que 18% das vendas de sua companhia (aproximadamente 4 milhões de dólares) vieram a partir de investimentos de produtores agrícolas. Além disso, a empresa prova, através de um estudo de caso feito na cidade de Rias Baixas, Espanha, que conseguiu reduzir em 20% a aplicação de fertilizantes e fungicidas nas plantações de uva e aumentar o crescimento dos cultivos em 15%, utilizando sensores nas plantações. Outro exemplo interessante é como produtores que trabalham com estufas podem utilizar sensores para verificar a temperatura dentro delas e avisá-los sobre alterações preocupantes.

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Especialistas apontam que o principal fator para ter transformado a agricultura em um dos mercados mais promissores da IoT, é o fato de que os sensores para uso comercial ficaram mais baratos e os códigos para utilizá-los, hoje, são produzidos em fontes abertas disponíveis para qualquer pessoa. A tecnologia pode proporcionar conhecimento aos agricultores e ferramentas de planejamento para o agronegócio, além de conectar os vários players do mercado na cadeia de valor para que eles possam conduzir o comércio da forma mais eficiente.

É importante entender que a tecnologia na agricultura visa conectar os produtores rurais, facilitando a distribuição de alimentos para toda a população do mundo e diminuindo o desperdício de comida. De acordo com o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, a população mundial será de 9,5 bilhões em 2050, e os agricultores terão de produzir 70% mais alimentos do que em 2006 para atender a essa demanda. Além disso, alguns desafios como as mudanças climáticas, a escassez de terras para plantação e de água, devido ao consumo desenfreado, terão de ser enfrentados. Aqui a Internet of Things pode ser utilizada na implementação de sensores para identificar mudanças climáticas com maior facilidade e melhorar a eficiência de irrigação e uso de fertilizantes. Outro objetivo da Internet of Things, agora integrada à pecuária, é o de implementar sensores em criações de gados e outros animais nas fazendas ao redor do mundo para coletar informações sobre a temperatura corporal, consumo de comida, doenças, entre outros dados.

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Mas como trazer a tecnologia da Internet of Things de forma bem-sucedida para a agricultura?

Fornecer acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação para os pequenos agricultores é um desafio enorme. Eles tendem a viver em áreas remotas e têm pouca ou nenhuma experiência na utilização e aplicação de tecnologias. E para que o impacto na redução da pobreza e promoção do desenvolvimento econômico rural seja realmente visível, a tecnologia deve alcançar milhões de moradores da área rural e não apenas alguns poucos.

Os países bem sucedidos nessa implementação irão executar um roteiro que consiste em uma infraestrutura de banda larga, uma infraestrutura de prestação de serviços na área rural e uma plataforma de serviços que permite a transformação da agricultura. No entanto, alguns fatores são essenciais para que esses elementos possam se tornar realidade:

  • Arquitetura de computação compartilhada

Para reduzir custos e a complexidade da tecnologia da informação como um todo, os profissionais de TI estão trabalhando em tecnologias de compartilhamento. Atualmente, um número cada vez maior de fornecedores de tecnologia oferece serviços baseados em computação remota ou em modelos de pagamento por utilização. Por exemplo, os provedores de Software como Serviço (SaaS) hospedam aplicações que são oferecidas sob demanda ou por assinatura de plano. Os modelos de Infraestrutura como Serviço (IaaS) também disponibilizam hardwares gerenciados remotamente, permitindo que os clientes possam pagar com base na utilização de servidores, serviços de armazenamento e redes.

  • Novos modelos de negócio

De acordo com a Cisco, em seu estudo “Connected Agriculture Developing Smart, Connected Rural Communities”, um total de US$ 16 bilhões foi investido entre 1997 e 2006 na área de Tecnologia da Informação e Comunicação. Mais de 80% desse valor foi investido a partir do setor privado. Os novos modelos de negócio pretendem atrair investimentos privados com foco na população que vive com menos de 2 dólares ao dia. Com isso a Agricultura Inteligente poderá atingir um valor de até US$ 189 bilhões.

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Outro exemplo interessante é o do Banco Mundial que já trabalha, há algum tempo, em políticas para estabelecer uma infraestrutura de backbone para Internet, possibilitando aumentar a abrangência e o acesso à Internet para toda a população, através de investimentos públicos que, em contrapartida, podem atrair e gerar mais investimentos do setor privado.

O interessante é que empresas do setor privado estão mostrando um crescente interesse em servir esse grupo de clientes em potencial com serviços inovadores baseados em novos modelos de negócio. Por exemplo, as iniciativas de micro finanças que podem ajudar produtores rurais a investir em suas plantações.

Ecossistema de Colaboração

As ferramentas de colaboração e as novas culturas de compartilhamento estão permitindo que a colaboração nas empresas e entre empresas se torne mais dinâmica. Com isso, essas tecnologias criam um grande ecossistema de colaboração para resolver questões mais complexas como a fome, seca, mudanças climáticas, entre outros fatores que estão intimamente ligados à agricultura e a produção de alimentos.

Fonte: Canal Comstor